A Realidade de CyberSec
28 Aug 2026 - ⧖ 5.0 minRecentemente o que mais tenho ouvido é:
"Estou estudando para área de segurança"
"Acho que vou para CyberSec"
"Será que vale a pena ir para Cyber?"
O uso indiscriminado de I.A. acabou gerando uma falha grande... hoje dezenas de problemas de segurança são criados todos os dias em centenas de apps e sistemas por causa do uso de I.A para gereação de código, não falo apanas do vibe coding , a geração de código sem revisão está incluso.
Esse mal hábito acabou criando um terreno fértil para a área de CyberSec, e está cada vez mais comum pessoas estarem interessadas nela, mas há uma realidade que não amplamente é falada.
Júnior de CyberSec
Não existe vaga de estário/Júnior para CyberSec! É importante que você tenha isso em mente, pois a maioria das pessoas que já vi demonstrar interesse nessa área foram os Enzos chorões e frustrados que não conseguiram uma vaga como dev. Se você está migrando para CyberSec por não conseguir uma vaga de dev nem perca sua energia.
Já ouvi muito: "As vagas de dev estão pedindo muito, acho que vou para segurança que está crescendo"
Pois se você pensa asssim aqui vai algumas coisas que você precisa saber para dizer que você tem a introdução de CyberSec:
Fundamentos de Redes de Computadores: Entenda como os dados transitam na rede estudando os modelos OSI e TCP/IP, além dos protocolos vitais como HTTP/HTTPS, DNS, DHCP, SSH, FTP e TLS/SSL. Domine o conceito de endereçamento IP (IPv4/IPv6), sub-redes, funcionamento de roteadores, switches, portas de rede e análise de tráfego com ferramentas como Wireshark.
Sistemas Operacionais e Linha de Comando: Obtenha fluência no terminal Linux (distribuições como Ubuntu, Debian ou Kali) para navegação, gestão de permissões, usuários, processos e autoinstalação de dependências. Em paralelo, entenda a arquitetura do Windows, incluindo Registry, Active Directory, PowerShell, logs de evento e modelo de permissões NTFS.
Programação e Automação: Aprenda Python como linguagem principal para criação de scripts, automação de tarefas e análise de dados. Complemente com Bash para scripts em Linux e conhecimentos básicos de HTML, JavaScript, SQL e PHP para compreender como aplicações web processam dados e interagem com bancos de dados.
Conceitos Fundamentais de Segurança e Criptografia: Familiarize-se com a Tríade CIA (Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade) e entenda o funcionamento de criptografia simétrica e assimétrica, funções de hash e certificados digitais. Estude também a gestão de identidades e acessos (IAM), controle de acesso (RBAC, MAC, DAC) e o conceito de defesa em profundidade (Defense in Depth).
Fundamentos de Segurança Operacional (Offensive e Defensive): Do lado defensivo (Blue Team), aprenda sobre Firewalls, sistemas de detecção e prevenção de intrusão (IDS/IPS), antivírus, EDRs e análise de logs (SIEM). Do lado ofensivo (Red Team), compreenda a OWASP Top 10 para vulnerabilidades web (como SQL Injection e XSS), técnicas de engenharia social (phishing), recon/varredura com Nmap e as fases do ciclo de invasão (Cyber Kill Chain).
As vagas são 10x mais exigentes, ou seja, uma pessoa da área de segurança tem que saber tanto quanto um dev! Mas se você realmeente quer seguir esse caminho aí está sua trilha inicial de estudos.
Quando digo que não há vaga de estágio/júnior, não merefiro a nomenclatura, estou falndo da quantidade de conhecimento. Ou você sabe, ou não sabe. Não há o sei pouco (júnior), em CybrSec não há brecha para erros, que é algo natural do aprendizado.
Recntemente tive oportunidade de conversar com uma Senior Technical Account Manager da AWS, 8x certificada AWS que me contou sobre a trajetória dela na área de seguranção, ela fez migração depois de 10 anos de expriência em infra e devops, então ela conseguiu uma vaga como estagiária. Pense bem, uma pessoa com 10 anos de expriência em TI conseguiu entrar apenas como estagiária. Então você que tem pouco contexto de TI, não tenha altas expectativas.
Surf do mercado
Se você quer surfar a onda da área de segurança, você está atrasado!
O mercado funciona em ondas.
Imagine uma onda no mar: primeiro ela começa a se formar, depois cresce, chega ao pico e, por fim, perde força. No mercado acontece algo parecido. Uma nova tecnologia ou área surge, poucas pessoas percebem a oportunidade e começam a estudar. Conforme a demanda aumenta, mais empresas investem, os salários sobem e mais profissionais entram. Quando todo mundo começa a falar sobre aquela área, surgem cursos, propagandas e promessas de carreira. É quando a onda está chegando ao pico.
Quem começa a surfar no início da onda tem tempo para se preparar enquanto ela cresce. Quando o mercado chega ao pico, essa pessoa já tem conhecimento e experiência suficientes para aproveitar as melhores oportunidades. Mas quem começa a surfar apenas no pico ainda pode aproveitar alguma coisa, só que provavelmente pegará o final da onda.
Um bom exemplo é a programação. Quem começou a estudar entre 2017 e 2018 teve tempo para construir experiência antes da grande explosão da demanda por desenvolvedores em 2020 e 2021. Quando a onda chegou ao pico, essas pessoas já estavam posicionadas.
Por isso, se você está vendo propaganda de cursos de segurança em todo lugar, influenciadores falando sobre cibersegurança e cada vez mais pessoas dizendo que querem entrar na área, isso não significa necessariamente que você encontrou uma oportunidade no começo. Pode ser justamente o sinal de que a onda já está avançada.
O objetivo não é descobrir qual área está em alta hoje. É identificar qual será a próxima área a ficar em alta e começar a se preparar antes de todo mundo.